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domingo, 3 de abril de 2016

Manta Rota - Vila Real de Sto António



mapa do percurso:

Manta Rota-Vila Real de Sto António


Neste trajecto da ecovia, visitámos habitats únicos em Portugal. O mais peculiar é o retamal, característico do litoral do Norte de África e que ocorre no território nacional apenas na faixa entre Manta Rota e Vila Real de Sto António.
Este habitat predomina em solos arenosos atingidos por ventos marítimos carregados de sal e humidade e desempenha um papel fundamental na fixação das areias. 

retama e figueira da Índia


Outras espécies que ocorrem neste habitat são a ficus indica (figueira da Índia), o alecrim e a aroeira, abrigados por um substrato arbóreo que alterna entre o pinheiro manso e o pinheiro bravo, conforme o solo é mais ou menos arenoso.
Da Manta Rota saímos em direcção a Leste, passando por casas de veraneio até à vizinha Praia da Lota, com amplo areal delimitado pela remata. 
Prosseguimos em direcção ao interior por um caminho rural ladeado por prados que atravessa a Ribeira de Álamo e dá lugar a Altura, uma freguesia do concelho de Castro Marim vocacionada para o turismo estival, onde assistimos a um desfile carnavalesco dedicado ao imaginário Disney (ver vídeo no fim do post).



Demos um saltinho à praia através de um passadiço de madeira que possibilita observar de forma cómoda a vegetação dunar ainda dominada pela retama, mas salpicada por cordeirinhos-da-praia e estorno.
Abandonando Altura, percorremos um troço de poucos Kms pela estrada nacional 125 até ao aldeamento da Retur, com um aspecto abandonado, e daqui entrámos na Mata Nacional das Dunas Litorais de Vila Real de Sto António. Aqui existe um pequeno lago e observatório de aves, de onde pudemos observar caimões, mergulhões, corvos marinhos e patos de bico vermelho (fotos e informações sobre a Mata aqui).





Atravessámos o pinhal na secção da ecovia mais frequentada e, sem dificuldade, desembocámos em Monte Gordo, localidade pioneira do turismo algarvio. Na praia encontrámos esplanadas e restaurantes que servem peixe fresco, barcos com bandeiras coloridas e barraquinhas com apetrechos de pesca, onde ainda é possível observar as tradicionais lides.



Praia de Monte Gordo

No centro existem vários restaurantes que servem as especialidades locais, tais como a estupeta de atum, caldeirada de peixe ou bife de atum com cebolada de tomate. 

bife de atum com cebolada de tomate


A última parte do percurso proporciona dois caminhos alternativos, podendo a ligação a Vila Real de Sto António ser efectuada através da ecovia que ladeia a estrada, ou pelo caminho florestal - imediatamente à esquerda, depois do Parque de Campismo - que desemboca numa aldeia columbófila e dá acesso, seguindo rumo a Sul, à Praia dos Três Pauzinhos, lugar ideal para ver o pôr do Sol.




caminho florestal


Praia dos Três Pauzinhos




vídeo do percurso:










domingo, 20 de dezembro de 2015

de Conceição de Tavira a Manta Rota


Mapa do Percurso:




A partida deste percurso é na estação da CP de Conceição de Tavira. O comboio é um meio cómodo para transportar as bicicletas, uma vez que a linha do Algarve une os principais centros urbanos do Sotavento Algarvio.



A primeira secção do percurso inicia-se por uma agradável descida através do caminho da canada, que nos leva até Cabanas de Tavira, um centro piscatório, com barcos coloridos no porto e, na zona  ribeirinha, muitos bares e restaurantes frequentados por residentes e turistas de várias nacionalidades.




No lado Este da aldeia, podemos fazer um curto passeio pela área envolvente ao núcleo urbano, aproveitando para visitar o Forte de S. João da Barra, circundado por um caminho de terra batida que ladeia campos de agricultura de sequeiro e permite descobrir as ruinas de uma nora tradicional.







Visitada a vila, prosseguimos pela ecovia por um caminho verdejante, que tem a particularidade de preservar, nos taludes, carvalhos cerquinhos centenários, testemunhos da antiga floresta Laurissilva, onde, em tempos, um esquilo poderia viajar, saltando de ramo em ramo, do Minho ao Algarve.


Para almoçar, sugerimos um desvio ao lugar de Fábrica, onde há um bom restaurante de peixe e marisco.




De seguida, é possível caminhar por entre os pequenos barcos de pescadores na praia sobranceira ao restaurante, e de onde se avista Cacela-a-Velha, o próximo destino.


Trata-se de uma pequena povoação cuja ocupação remonta, pelo menos, à época romana, mas cujo assoreamento da Ribeira de Pedra Alva, bem como a formação do cordão de dunas da Ria Formosa ditou o seu afastamento do mar e a progressiva redução da população. 
Embora em 1283 o Rei D. Dinis tenha outorgado foral à vila, hoje Cacela não é mais do que uma aldeia integrada na freguesia de Vila Nova de Cacela (situada a Norte), onde é possível encontrar um deslumbrante miradouro sobre o extremo Este do Parque Natural da Ria Formosa, uma igreja de fachada renascentista - normalmente fechada - e um forte do séc. XVIII, ainda ocupado pela GNR.






A parte final do percurso decorre por alcatrão até à Praia da Manta Rota. Na pacata aldeia ainda é possível vislumbrar vestígios do seu passado piscatório.





A pesca na região, para lá da Ria Formosa, tinha como obstáculo, entre os núcleos urbanos e o mar, um cordão de duna com vários quilómetros de comprimento.
Assim nasceu a arte da xávega, que consistia em as redes serem puxadas por um barco a partir da praia e, em seguida, serem recolhidas a braços.
Hoje em dia, perante a escassez de sardinha e atum nos mares do Algarve, esta arte é proibida. No entanto, Manta Rota encontrou um novo rumo, desenvolvendo actividades ligadas ao turismo.