domingo, 20 de março de 2016

Dois doces, um hotel, um forte e a Ria Formosa

Ultimamente temos andado a explorar, um pouco de cada vez, as cidades de Faro e Tavira.
Em vez de extensos percursos urbanos, temos feito pequenos passeios, mais ou menos espontâneos, durante os quais aproveitamos para conhecer a gastronomia, principalmente a doçaria regional.
Em Faro, na pastelaria Gardy, provámos um Dom Rodrigo e um "Morgadinho careca".
Os Dom Rodrigos vêm embrulhados em papel metalizado colorido. Quando os comemos, podemos distinguir os fios de ovos, a amêndoa, a canela...Tiveram origem em Lagos e parece que o nome é uma homenagem das freiras carmelitas a um nobre que prestou auxilio a vítimas no terramoto de 1755.




Os Morgados ou Morgadinhos são feitos à base de amêndoa, fios de ovos, ovos moles e doce de chila. Costumam levar uma cobertura de açúcar em pó e uma pérola prateada no topo, mas como nesta versão o doce não tem a cobertura nem a pérola, ganhou o nome de Morgadinho careca.




Em Tavira, depois de passear à beira do Rio Gilão e de atravessar várias vezes as suas pontes, resolvemos visitar o Hotel Vila Galé Albacora. Além do seu interesse histórico - um antigo arraial de pesca de atum recuperado - tem um bar, restaurante e esplanada espaçosos e calmos (pelo menos em época baixa). Os preços das refeições são acessíveis.

Rio Gilão e ponte romana em Tavira

esplanada do bar do Vila Galé Albacora






Depois do almoço fizemos uma pequena caminhada até ao Forte de Santo António de Tavira que fica à beira da Ria Formosa. Este forte foi construído no séc. XIV, durante reinado de D. Sebastião, tendo sido remodelado aquando da Guerra da Restauração.  Esteve activo até 1840. Actualmente em ruínas, proporciona uma boa vista sobre a Ria e a Ilha de Tavira.










  • mais receitas do Algarve aqui
  • mais informações sobre o Hotel Vila Galé Albacora aqui


domingo, 6 de março de 2016

Breve apontamento

Depois de uns tempos sem publicar, estamos de volta com novidades.

No Carnaval percorremos, de bicicleta, o troço da ecovia entre Manta Rota e Vila Real de Santo António. Brevemente partilharemos as paisagens que descobrimos e o nosso encontro inesperado com um desfile de personagens Disney na vila de Altura.

Ontem iniciámos uma série de percursos urbanos na cidade de Faro.
Escolhemos o comboio para nos deslocarmos até lá. Depois de um café no bar da estação, caminhámos em direcção à doca e ao Jardim Manuel Bívar, onde começamos o percurso "Bairro ribeirinho e Mouraria".
O tempo esteve um pouco instável durante a manhã, com vento e céu muito nublado. Contudo, a partir da hora de almoço, o sol voltou  e brilhou durante toda a tarde.
O que mais nos surpreendeu na cidade foi a conservação de elementos da arquitectura do séc.XVII, como uma casa de fresco com as figuras de Adamastor e Hércules com o javali de Erimanto esculpidas em argamassa e os trechos de cortina e baluarte da cerca seiscentista, construídos para proteger a cidade de uma eventual invasão espanhola.

Hércules com o javali de Erimanto 

baluarte


Pelo caminho encontrámos ainda alguns locais agradáveis para comer e descansar, tais como o restaurante buffet "Com Amor" e o "baixacaffé", ambos na baixa de Faro.

Aqui fica o vídeo com o resumo do dia:






segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Trilho Interpretativo da Aldeia Nova

A Mata Nacional das Dunas Litorais de Vila Real de Sto. António constitui um vasto espaço verde onde é possível caminhar, andar de bicicleta, observar aves ou simplesmente aceder à praia de Adão e Eva. 
O Trilho Interpretativo da Aldeia Nova atravessa esta mata e tem início em Aldeia Nova, junto ao placar informativo, situado no parque de estacionamento.





Durante o percurso - que é circular e tem apenas 2 Km - é possível observar uma série de pontos de interesse, tais como:

 o pinhal (pinheiro bravo e pinheiro manso), plantado no séc. XIX, para evitar o avanço do mar






espécies de plantas como a figueira da Índia, alecrim, giesta e retama,

figueira da Índia


Alecrim
giesta

retama


aceiros, faixas sem vegetação, que servem para evitar a propagação de fogos




um lago que funciona como reservatório de água e que possui um observatório de onde é possível observar aves aquáticas, como o pato-de-bico-vermelho, o mergulhão, o galeirão e o corvo-marinho.


observatório de aves
galeirão

pato-de-bico-vermelho


mergulhão

corvo-marinho-de-faces-brancas



 À medida que nos aproximamos do mar, o pinheiro-bravo dá lugar ao pinheiro manso, melhor adaptado ao solo arenoso.







o acesso à praia faz-se por um passadiço de madeira, ao longo do qual é possível observar as dunas e a vegetação típica deste habitat, como por exemplo estorno e o cordeirinho-da-praia.


estorno

cordeirinho-da-praia
a praia de Adão e Eva tem um extenso areal e um mar calmo, cujas águas atingem os 24º graus no Verão, convidando a um mergulho. Desta vez, em Janeiro, contentámo-nos com um picnic solarengo.






o regresso à mata faz-se pelo mesmo passadiço. Mais à frente existe um cruzamento que liga ao Trilho do Camaleão



mesmo antes do fim do percurso encontramos uma zona acolhedora, rodeada de árvores e com bastante sombra, equipada com mesas e bancos, onde é possível descansar e merendar.


Características do percurso:

trilho com 10 estações interpretativas, sem qualquer informação. Em algumas só está disponível texto em Braile.
tipo de percurso: circular
distância: 2 km
duração média: 1h
tipo de caminho: terra batida

Como chegar?

Pela Nacional 125, no sentido Faro - Vila Real de Sto António, chegando a Aldeia Nova, virar na primeira à direita. Após 200m encontra-se o largo onde se inicia o percurso.





domingo, 20 de dezembro de 2015

de Conceição de Tavira a Manta Rota


Mapa do Percurso:




A partida deste percurso é na estação da CP de Conceição de Tavira. O comboio é um meio cómodo para transportar as bicicletas, uma vez que a linha do Algarve une os principais centros urbanos do Sotavento Algarvio.



A primeira secção do percurso inicia-se por uma agradável descida através do caminho da canada, que nos leva até Cabanas de Tavira, um centro piscatório, com barcos coloridos no porto e, na zona  ribeirinha, muitos bares e restaurantes frequentados por residentes e turistas de várias nacionalidades.




No lado Este da aldeia, podemos fazer um curto passeio pela área envolvente ao núcleo urbano, aproveitando para visitar o Forte de S. João da Barra, circundado por um caminho de terra batida que ladeia campos de agricultura de sequeiro e permite descobrir as ruinas de uma nora tradicional.







Visitada a vila, prosseguimos pela ecovia por um caminho verdejante, que tem a particularidade de preservar, nos taludes, carvalhos cerquinhos centenários, testemunhos da antiga floresta Laurissilva, onde, em tempos, um esquilo poderia viajar, saltando de ramo em ramo, do Minho ao Algarve.


Para almoçar, sugerimos um desvio ao lugar de Fábrica, onde há um bom restaurante de peixe e marisco.




De seguida, é possível caminhar por entre os pequenos barcos de pescadores na praia sobranceira ao restaurante, e de onde se avista Cacela-a-Velha, o próximo destino.


Trata-se de uma pequena povoação cuja ocupação remonta, pelo menos, à época romana, mas cujo assoreamento da Ribeira de Pedra Alva, bem como a formação do cordão de dunas da Ria Formosa ditou o seu afastamento do mar e a progressiva redução da população. 
Embora em 1283 o Rei D. Dinis tenha outorgado foral à vila, hoje Cacela não é mais do que uma aldeia integrada na freguesia de Vila Nova de Cacela (situada a Norte), onde é possível encontrar um deslumbrante miradouro sobre o extremo Este do Parque Natural da Ria Formosa, uma igreja de fachada renascentista - normalmente fechada - e um forte do séc. XVIII, ainda ocupado pela GNR.






A parte final do percurso decorre por alcatrão até à Praia da Manta Rota. Na pacata aldeia ainda é possível vislumbrar vestígios do seu passado piscatório.





A pesca na região, para lá da Ria Formosa, tinha como obstáculo, entre os núcleos urbanos e o mar, um cordão de duna com vários quilómetros de comprimento.
Assim nasceu a arte da xávega, que consistia em as redes serem puxadas por um barco a partir da praia e, em seguida, serem recolhidas a braços.
Hoje em dia, perante a escassez de sardinha e atum nos mares do Algarve, esta arte é proibida. No entanto, Manta Rota encontrou um novo rumo, desenvolvendo actividades ligadas ao turismo.